A Freguesia de Alqueva pertence ao concelho de Portel, no distrito de Évora, dista da sede concelhia aproximadamente 19 quilómetros e tem por orago S. Lourenço. O topónimo “Alqueva” deriva de “alqueive” que significa “terra de pousio” ou “deserta”, o que de facto está em conformidade com as características geológicas da freguesia, de solo muito seco e áspero, devido à escassez de água, sendo este problema um dos maiores obstáculos ao seu desenvolvimento. Contudo, há algumas décadas chegava à freguesia uma proposta que prometia a solução de alguns dos problemas da região: a criação de uma barragem que viria irrigar todos os solos, o que era excelente para as freguesias que vivem essencialmente da agricultura, como Alqueva, para além da criação de postos de trabalho durante a sua construção.
Nada de definitivo se pode afirmar acerca do povoamento desta freguesia, pelo menos antes do século XII, pois não possui muitas marcas históricas. Só a relativa proximidade de Marmelar, com os vestígios de um templo religioso muito anterior à Nacionalidade, mais exactamente cerca da época visigótica, levam a crer o possível povoamento de Alqueva nesse período, assim como o seu topónimo, “Alqueva”, porque já não parece novo nos meados do século XIII.
Todavia, é certo que a freguesia terá passado por uma fase de desertificação, aquando a chegada dos muçulmanos, para recuperar depois da fundação da Nacionalidade. Em 1262, é escrito o primeiro documento referente à freguesia, que salientava a paróquia de S. Lourenço; em 1285, surge um segundo documentos escrito, desta vez referente à cessão do território de Portel ao prócer D. João de Portel.
Em termos eclesiásticos, Alqueva foi um curato da apresentação do arcebispo de Évora; o pároco local tinha um rendimento de três moios e meio de pão terçado de cevada e trigo. Juridicamente, governava-se por um juiz de vintena, posto pelo senado da Câmara da vila de Portel.
A Freguesia está recheada de monumentos e vestígios arqueológicos que fazem actualmente parte do seu património cultural, e dos quais se destacam: a Igreja Matriz, a capela de Santo António, o marco da Pena Ventosa, os vestígios de sepulturas megalíticas, as pocilgas das Barraqueiras e o marco geodésico. O Outeiro dos Castelos, o local da construção da barragem e a zona de lazer natural, constituem os locais de maior interesse turístico na freguesia.